“O FUTEBOL É ELO DE UNIÃO NA GUINÉ-BISSAU”

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“O ANDEBOL SERVE DE MODELO PARA OUTRAS MODALIDADES ANGOLANAS”

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Confederação Lusófona de Treinadores aprova Modelo de Formação de Treinadores para a CPLP

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“O TREINADOR É PEÇA CHAVE NA FORMAÇÃO DA JUVENTUDE”

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  Vítor Pataco, presidente do IPDJ, realçou o papel dos treinadores na sessão de...

Secretário de Estado inaugura 2.ª reunião da Confederação Lusófona de Treinadores

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Quadro de Referência Internacional para a Formação de Treinadores

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Curso de treinadores de futebol Guiné

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“O FUTEBOL É ELO DE UNIÃO NA GUINÉ-BISSAU”

Herculano Cubaba representou a Guiné-Bissau na segunda reunião da Confederação Lusófona de Treinadores e fala do futuro com esperança

Herculano Cubaba, treinador de futebol, tem um sonho para a sua Guiné-Bissau: fazer com que a trégua política vivida em 2017 a propósito da presença da seleção de futebol do país na CAN disputada no Gabão passe a ser uma realidade do dia-a-dia e não um acontecimento esporádico.

“Naquele período, até os políticos com ideias diferentes, como eram o presidente José Mário Vaz e o primeiro-ministro Umaro Emboló, deixaram de parte as suas divergências para apoiarem a nossa seleção na sua primeira participação de sempre na fase final da CAN”, recorda Herculano Cubaba, que há dias esteve em Lisboa para participar na segunda reunião da Confederação Lusófona de Treinadores.

Aos 47 anos de idade, Cubaba está num período de pausa na sua carreira de treinador, mas não desiste da mesma.

“Pelos nossos estatutos da Associação dos Treinadores de Futebol da Guiné-Bissau, o presidente não pode exercer o cargo em equipas das duas primeiras divisões nacionais. Por isso, depois de ter sido eleito pela primeira vez em 2013, ponderei não avançar para o segundo mandato, mas acabei por aceitar depois de um abaixo assinado de mais de 120 colegas mo terem pedido”, recorda Herculano Cubaba.

Os primeiros passos da carreira foram incentivados por José Mourinho, esse mesmo, a tal ponto que Cubaba também é conhecido como o Mourinho da Guiné-Bissau. “Tive, até agora, uma carreira rica de experiências. Trabalhei em clubes pequenos, noutros de maior dimensão, mas sempre com a mesma vontade de aprender, crescer, ganhar conhecimentos e, claro, ganhar”, sublinha Cubaba.

Ao longo dos anos, mas em especial desde que assumiu a liderança na Associação dos Treinadores de Futebol do seu país, Herculano Cubaba tem feito do aperfeiçoamento profissional a sua bandeira.

“A formação é fundamental para a consolidação da carreira de treinador e infelizmente até há pouco tempo grande parte dos treinadores da Guiné-Bissau não tinham formação específica. Temos trabalhado no sentido de sensibilizar as pessoas, mas também os clubes, entidades federativas e o Governo no sentido de serem criadas melhores condições de preparação dos treinadores e depois de melhoria das suas condições de trabalho”, sublinha o treinador guineense.

“A formação dos treinadores continua a ser a minha luta. Só com intercâmbio de experiências, em especial com os países da CPLP, poderemos evoluir. Só assim, no futuro, poderemos ter melhores treinadores,” vaticina, admitindo que, de momento, as condições ainda estão abaixo das expetativas.

“As condições de trabalho ainda não são as melhores, pois na Guiné-Bissau as autoridades e os clubes ainda não optaram pela profissionalização do futebol. Se o conseguirmos, acredito que as coisas irão melhorar. Com a profissionalização, a exigência será outra e depois as outras modalidades acabarão por seguir o exemplo do futebol.”

A experiência vivida durante a segunda reunião da Confederação Lusófona de Treinadores foi, garante Herculano Cubaba, “muito positiva”. E acrescenta: “levo para casa muito para partilhar com os meus colegas guineenses”.

“O ANDEBOL SERVE DE MODELO PARA OUTRAS MODALIDADES ANGOLANAS”

Garantia é de Vivaldo Eduardo, técnico que representou Angola na reunião da Confederação Lusófona de Treinadores

Vivaldo Eduardo, vice-presidente da Associação de Treinadores de Andebol de Angola e diretor técnico nacional da modalidade, foi o representante angolano na segunda reunião da Confederação Lusófona de treinadores, realizada em finais de setembro em Lisboa.

Com um espírito sempre bem-disposto, Vivaldo Eduardo falou-nos um pouco da sua experiência pessoal, recordando que se tornou treinador… por ser, nas suas palavras, “um contestatário” do seu próprio técnico.

“Fui jogador de nível médio baixo e contestava muito a forma como o meu treinador trabalhava. Um dia, por questões militares, ele teve de se afastar algum tempo e desafiou-me: “olha, durante um mês preciso que orientes a equipa nos treinos pois temos depois o campeonato nacional”. Isto foi em 1985, num clube militar chamado BCR. Comecei no Centro Desportivo Universitário e depois de terem fechado os clubes que tinham ligação com Portugal, após a independência, nasceram vários clubes militares, sendo o BCR um deles”, conta-nos Vivaldo Eduardo.

“Acabei por orientar a equipa durante esse mês, com bons resultados, e o treinador entendeu que deveria continuar, pois tinha queda para aquilo. Fui tirar o curso de Educação Física e desde então nunca mais parei. Tive passagens pelas seleções femininas de Angola, também uma curta passagem pela seleção do Congo Brazavile, e senti sempre a necessidade de melhorar a minha formação”. Daí que tenha dado o passo seguinte e ir à procura dessa formação.

“Por isso vim parar a Portugal, tendo trabalhado primeiro no Académico do Funchal, em 1993, sempre com formação. Aí o professor Pedro Sequeira avisava-me sempre que havia um curso e assim fui fazendo. Tenho formações em Portugal, Espanha e Alemanha,” sublinha, com orgulho.

Um orgulho que cresce quando nos fala da realidade atual do andebol angolano.

“O andebol em Angola está bem e recomenda-se, especialmente no sector feminino. É a disciplina mais medalhada de Angola: tem mais títulos africanos, mais participações e classificações em Jogos Olímpicos e Campeonatos do Mundo. Temos um sétimo e um oitavos lugares num Mundial entre 24 finalistas, coisa que nenhuma outra nação africana conseguiu. Também o andebol masculino atravessa uma boa fase, sendo a terceira potência africana, atrás do Egito e da Tunísia”, recorda.

Vivaldo Eduardo é, aos 52 anos de idade, vice-presidente da associação de treinadores de andebol de Angola e diretor técnico da federação de andebol.

“A formação resulta, mas é muito difícil em Angola, porque a maior parte dos treinadores não tem formação em Educação Física e os cursos que ministramos não estão ainda reconhecidos pelo Ministério da Educação. Essa é uma luta que estamos a travar,” diz, esperançado, ao mesmo tempo de elogia o papel da CLT.

“A Confederação Lusófona de Treinadores só pode ajudar todos os envolvidos. Costumamos dizer que é melhor copiar bem do que inventar mal. Desde 1993 acompanho a formação dos treinadores de andebol em Portugal e no que é possível levamos esses ensinamentos para Angola, mesmo que a realidade seja diferente. A CLT vai poder influenciar os nossos governamentos sobre a importância do papel do treinador. O andebol está em condições de servir de modelo para outras disciplinas em Angola”, garante.

Confederação Lusófona de Treinadores aprova Modelo de Formação de Treinadores para a CPLP

 A segunda reunião da Confederação Lusófona de Treinadores (CLT), terminou esta sexta-feira, em Lisboa, com a aprovação do Modelo de Formação de Treinadores que será, agora, apresentado aos governos dos países de língua oficial portuguesa (PALOP). Pedro Sequeira, presidente da CLT, fez um balanço “extremamente positivo” dos trabalhos, destacando a participação ativa de todos os delegados dos seis países representados.

“Não é fácil conseguir-se em dois dias de trabalho construir um modelo de formação que seja aceite por todos os países. Está aqui uma ferramenta de trabalho muito interessante que estamos convencidos que poderá potenciar o desenvolvimento da atividade dos treinadores nos PALOP”, sublinhou Pedro Sequeira.

Para o dirigente, a aprovação do modelo de formação foi o ponto alto dos dois dias de trabalho da CLT. “A palavra mais utilizada foi harmonização. E foi isso que se conseguiu, harmonizar um modelo de formação que sirva a todos, sem que nada seja imposto a ninguém. Somos países diferentes, com realidades e culturas diferentes. Queremos que cada país mantenha a sua identidade e por isso o modelo de formação não terá de ser forçosamente igual para todos, apenas as linhas mestras, a filosofia geral, é a mesma”, destacou Pedro Sequeira.

A presença de representantes das embaixadas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste no dia inaugural da reunião foi ainda destacada por Pedro Sequeira. Nesse capítulo, a quase certeza de que Timor-Leste passará a fazer-se representar na CLT foi outro destaque dos trabalhos.

“Houve uma frase marcante: não há nenhum país que seja bom em tudo. Isto é, todos temos algo a aprender com os outros. Se Portugal e Brasil, por exemplo, se destacam no futebol, é Angola que nos mostra o caminho no basquetebol. A integração de Timor-Leste e depois de São Tomé e Príncipe, está praticamente garantida. Temos também manifestada a vontade da Guiné Equatorial em fazer parte da CLT”, acrescentou Pedro Sequeira.

O dirigente português realçou a participação empenhada dos delegados. “Hoje já nos conhecemos melhor, sabemos porque estamos aqui e o que queremos fazer e por isso acredito que a CTL tem excelentes condições para crescer e aperfeiçoar o seu trabalho em prol dos treinadores”, concluiu Pedro Sequeira.

Humberto Bettencourt, representante de Cabo Verde, fez também um balanço “extremamente positivo” dos trabalhos realizados em Lisboa.

“Vim com o propósito de colher ensinamentos para quando regressar a Cabo Verde poder incentivar a criação de associações de treinadores de outras modalidades – sendo que eu venho do futebol. Consegui aprender muito neste encontro para poder levar para o meu país, no que concerne a organização e estruturação das atividades dos treinadores”, acrescente Humberto Bettencourt.

O representante de Cabo Verde considerou “maravilhoso” ter podido “aprende com a experiência de António Gomes (representante do Brasil) e de Pedro Sequeira, que são exemplos a seguir por todos nós. Mas com todos os demais representantes colhi ensinamentos importantes para levar para Cabo Verde”, garantiu o treinador de 43 anos.

A segunda reunião da Confederação Lusófona de Treinadores contou com as presenças de Pedro Sequeira, Carlos Diniz, Marta Martins e Mário Jorge Silva (Portugal), Vivaldo Eduardo (Angola), António Gomes (Brasil), Humberto Bettencourt (Cabo Verde), Herculano Cubaba (Guiné-Bissau) e Alberto Graziano (Moçambique).

Durante a reunião, os delegados debaterem propostas relacionadas com a construção do modelo de formação de treinadores na CPLP, a construção do regulamento de certificação do reconhecimento da formação de treinadores, ou a preparação de propostas legislativas sobre a profissão de treinador a apresentar aos diferentes governos da CPLP. O papel da Confederação Lusófona de Treinadores nas Jogos da CPLP foi outro dos temas em análise.

Foi aprovado o plano de atividades da CLT para os próximos quatro anos que prevê a realização da terceira reunião em Portimão, em 2019, associada ao sétimo Congresso de Treinadores, que será organizado pela Treinadores de Portugal. A reunião da CLT de 2020 está marcada para Timor-Leste, por ocasião dos Jogos da CPLP e a reunião de 2021 terá de novo por palco a cidade de Lisboa, associada ao oitavo Congresso de Treinadores e à Capital Europeia do Desporto.

Pedro Sequeira, presidente das Confederações CLT e Treinadores de Portugal

 

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